Uma visita esperada

 

A porta automática estava trancada. Aproximou um aparelho do tamanho de uma calculadora, que emitiu uma serie de ruídos e a porta não se abriu. Ele suspirou. Olhou para trás em direção ao carro e, não vendo ninguém, executou uma serie de movimentos rápidos com a mão direita, que foram seguidos do estalar da porta sendo aberta.

O hall estava vazio, continuou até a escada, onde sacou a pistola do coldre sob o paletó preto. Venceu em silêncio total os andares que o separavam de seu objetivo.

Parou em frente à porta, suspirou sem emitir um único som: sabia que sua vida estava em perigo. Experimentou a maçaneta: a porta estava destrancada. Bom ou mau sinal? Entrou.
A sala estava bem organizada, com livros espalhados sobre alguns móveis, além de uma taça de vinho vazia na mesa de centro. Caminhou até a porta que conduzia ao corredor do quarto e banheiro (tinha a planta memorizada).
Porta do banheiro aberta: vazia.
Porta do quarto semiaberta.

Empurrou com o ombro, enquanto empunhava a arma. Ele estava olhando pela janela, enquanto segurava a cortina. O homem de terno estava para puxar o gatinho, quando escutou seu nome, vindo da figura:
- Gabriel, não é?! – Em um tom suave e despreocupado.
O homem de terno segurou a respiração.
- Mas eles te chamam de Agente G, não é mesmo?
Seguiu-se o silêncio do atirador.

- Gabriel, você não deveria estar se perguntando do porquê de eu saber seu nome. Você deveria estar mais preocupado com o porquê que eles enviaram você até o mago mais poderoso da cidade, na companhia apenas de seu amigo robô.

O homem se virou na direção do agente, largou a cortina, sorriu:

- Eles sabem, Gabriel...

O agente engoliu seco. O homem continuou:

- Eles sabem que você está em dúvida. Eles sabem que você ajudou a índia a fugir para  o Canadá. E você sabe o que eles fazem com quem está em dúvida, Gabriel? Eles mandam para missões suicidas, que não podem concluir e, assim, se livram do problema.

O Agente respirou fundo, sabia que ele estava certo.

- Sabemos que você não vai apertar este gatilho, Gabriel, ou já o teria feito. Baixe esta arma e venha até aqui na janela observar algo comigo.

 Um segundo de incerteza que pareceu tomar minutos na cabeça do agente se passou. Baixou a arma e caminhou até a janela, onde o homem abria as cortinas. Enquanto o homem pousava a mão em seu ombro, lá de cima observou duas pessoas no carro preto, uma delas era ele mesmo. Se assustou.

- Não se preocupe, Gabriel. Não mais do que meio segundo se passou. Quando voltar a si, você terá que tomar a maior decisão de sua vida: você irá sair do carro e subir a escadaria até mim, que sei que você está vindo "me matar", ou vai mirar dentro da orelha de seu companheiro robô e puxar o gatilho e mostrar para Eles que é você quem manda no próprio destino?

Gabriel acordou enquanto segurava a maçaneta, parou por um segundo, ajustou o retrovisor e viu o homem olhando por trás da cortina lá em cima.
Engatilhou a arma

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